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ARRUMANDO AS MALAS PRO FESTIVAL DE QUADRINHOS DA ARGÉLIA

D. QUIXOTE DE BIRA DANTAS ESTÁ NA SELEÇÃO OFICIAL DO FIBDA

“C’est merveilleux!!!! Cet honneur!”, assim o cartunista reagiu ao descobrir -na última sexta-feira- que sua adaptação da obra-prima de Miguel de Cervantes estava na lista de selecionados na categoria “Melhor Projeto”.

“Ainda não estou acreditando, ninguém do FIBDA tinha me avisado… Eu achava que ia pra Argélia apenas dar uma palestra sobre o Quadrinho brasileiro e autografar o BiraZine #02 (belamente editado e impresso pelo Francisco Marcatti e vertido pro francês pela Maria Luiza Nery), mas estou concorrendo…” concluiu o quadrinhista.

EDUARDO PINTO BARBIER NÃO PARTICIPARÁ NO FESTIVALApesar de participar varios anos e de ter sido premiado, por motivos de mudança residencial, o quadrinhista residente na França Eduardo Barbier -criador do fanzine premiado “La Bouche du Monde”- não vai estar presente no FIBDA.

O site do evento tem toda a programação, as listas de indicados em cada categoria. http://www.bdalger.net/concours/selection-officielle Levará o livro “Ícones dos Quadrinhos” do Ivan Costa (com sua releitura do Nhô Quim do Mestre Angelo Agostini, na pág. 144). Além de uma palestra sobre sua carreira e o mercado de Quadrinhos no Brasil, Bira vai lançar o Bira Zine 2 (edição bilíngue português-francês com suas caricaturas, charges, cartuns e quadrinhos) e montar um estande com o melhor do Quadrinho nacional publicado pela editora Devir (gentilmente presenteados aos diretores do FIBDA) e uma fatia dos independentes (Laudo, Omar Viñole, Mario Cau, Caio Yo, Marcatti, Will, Daniel Esteves, Fabiano Carriero, jornais Graphiq e Cometa), além de publicações da AQC (Picles e 100 Vezes AQC).

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FLASH EXPO NEYMAR NA ARGENTINA

O cartunista e diretor da ACB (Associação dos Cartunistas do Brasil) tem organizado “flashexpos”, exposições-relâmpago de caricaturas, charges e cartuns. Das mais recentes, uma irá para a Argentina, no Museu Diógenes Taborda:

1- NEYMAR Brasil-Barcelona Vamos homenagear o Neymar para que ele não só se dê bem na Espanha mas na Copa do Mundo também. Essa exposição está sendo negociada para ir para a Espanha também.

2- FUTEBOL A ALMA DO BRASILEIRO Cartuns e piadas sobre o maior esporte do Brasil. Vale caricaturas de jogadores de todo o mundo. FUNDACIÓN CULTURAL VOLPE STESSENSMuseo de Humor Gráfico Diogenes Taborda Ref. Exposición: Neymar en Parque de los Patricios Festejando el 10° Aniversario del Museo de Humor Diógenes Taborda Inauguración: Martes 15 de Octubre a las 19 hs. en Caseros 2739. Parque de los Patricios

La exposición cuenta con dibujos de los caricaturistas brasileros: Mauricio de Sousa, Alan Souto Maior, Alex Souza, Alexandre Santos, Amarildo, Amorim, Aroeira, Baptistão, Benjamim Cafalli, Cassio Scavone, Bira Dantas, Bruno Hamzagic, Bruno Honda, Carriero, Carvall, Cristina Carnelós, Dálcio Machado, Dilmar Junior, Dimaz Restivo, Dodô, Ed Carlos, Eder Santos, Evandro Rocha, Evelyn, Fernandes, Floreal, Fredson Freed Ozanan, Silva, Glen Batoca, Ivo Favero, J.Bosco, Jonas Santos, Jorge Barreto, Josú Barroso, Júnior Lopes, Kaltoé, Lézio Junior, Manga, Mario Alberto, Mecho, Misso, Moisés Macedo, Mónica Fuchshuber, Nei Lima, Nelson Santos, Neto Coutinho, Nez, Paolo Lombardi, Ray Costa, Rice Araujo, Samuel Rocha, Ulisses, Verde, Vicente Bernabeu, Waldez Duarte, Wal Alves, William Medeiros.

Mas Información Jorge Omar Volpe Stessens Director del Museo de Humor Grafico Diogenes Taborda Cel. 11 5906 9936 Mail: volpestessens@gmail.com

Fundación Cultural Volpe Stessens Jorge Omar Volpe Stessens Presidente

Facebook. Museo de Humor Grafico Diogenes Taborda http:/www.facebook.com/MuseoDeHumorGraficoDiogenesTaborda

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Ronaldinho e Neymar Júnior, Apenas Uma Coincidência?

(por Worney Almeida de Souza)

O estúdio de Mauricio de Sousa produz dezenas de histórias em quadrinhos por mês. São muitos profissionais envolvidos entre roteiristas, desenhistas, arte-finalistas, editores e outros profissionais que criam uma dezena de revistas dos mais diversos personagens. As temáticas são as mais diversas e apesar do acompanhamento geral, inclusive do próprio Maurício, algumas escorregadas podem acontecer. A mais recente foi com uma HQ de Ronaldinho Gaúcho e outra de Neymar Júnior.


Pelezinho, Ronaldinho Gaúcho, Neymar Júnior são personificações de jogadores de futebol para os quadrinhos. Ambientados durante suas infâncias, eles só pensam em jogador bola no campinho perto de suas casas. Todos são pré-adolescentes (um pouco mais velhos que a turma da Mônica), vão para a escola, tem uma turminha de amigos, família com irmãos, pais, namoradas e animais de estimação (baseadas nos parentes originais dos jogadores), uma turminha de “inimigos” prontos para impedir que os personagens centrais ganhem uma partida de futebol ou conquistem um objetivo. O curioso é que Maurício de Sousa já tinha proposto a criação de personagens inspirados em Maradona e em Ronaldo Fenômeno nos mesmos moldes, mas não houve acordo com os jogadores.

Atualmente a editora Panini publica revistas mensais de Ronaldinho (atualmente no n°81), Neymar Júnior (no n° 05) e três edições republicando as HQs e as tiras do Pelezinho.

Ronaldinho Gaúcho tem um elemento diferencial que coloca o personagem em viagens fantásticas entre aliens, personagens folclóricos e monstros dos mais variados. Também apresenta divertidas HQs com os dois cachorros bagunceiros da família: Bala e Bola. Mas, no mais, os três personagens têm argumentos e roteiros algo muito parecidos. Podesse interpretar que isso seria fatal, pois os personagens futebolísticos do estúdio MSP têm universos muito parecidos e a consequência pode ser argumentos coincidentes. Assim se sucedeu com a HQ “Só Mais Uma Fase!”, publicada na edição 80 da revista “Ronaldinho Gaúcho” (agosto de 2013) e a HQ “Deixa eu Fazer o Trabalho!”, publicada na edição 05  da revista “Neymar Júnior” (agosto de 2013). Nas duas histórias as irmãs dos personagens principais (Deisi de Ronaldinho e Rafa de Neymar Júnior) têm que usar o computador da casa para fazer um trabalho escolar, mas são atrapalhadas pelos irmãos que querem usar o equipamento para jogar games. O desenvolvimento e as conclusões dos roteiros são um pouco diferentes, mas o argumento central é o mesmo! O incrível é que as duas HQs foram publicadas no mesmo mês, são as HQs principais das revistas e são a capa das mesmas edições!

Uma escorregada e tanto no planejamento editorial e um caso curioso da indústria dos quadrinhos.
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BIRA DANTAS NA XVI FEIRA DO LIVRO DO COLÉGIO DANTE ALIGHIERI

Colégio Dante Alighieri, São Paulo. O bate-papo com o quadrinhista Bira Dantas será com os alunos dos 7ºs anos do Ensino Fundamental, que leram sua adaptação do livro “Dom Quixote” (Escala Educacional).

Dia – 17 de setembro (3ª feira) Horário – 10h00 às 12h30 (3 encontros) Local – Mini auditório

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ARQUIVOS INCRÍVEIS DO JOÃO ANTONIO: QUADRIX #01

Quadrix-Seleções número 01, novembro de 1987,abordando Metal Hurlant/Heavy Metal.

“Nos anos 1980 as revistas importadas eram caras e difíceis de achar, especialmente para quem morasse no interior, não esqueçam que internet era coisa de ficção científica. A maneira que tínhamos para saber do que acontecia pelo mundo era pelos fanzines. Um dos melhores era o Quadrix, que era na verdade quase profissional, tinha um belo acabamento, e se fosse impresso em off-set poderia ser vendido em bancas tranquilamente. Por trás dele havia a figura de Worney Souza e Franco de Rosa, ambos conhecedores do assunto. Franco era e ainda é desenhista, jornalista e editor. Esta edição especial de Quadrix, denominada de Seleções, nos apresentou a grande revolução feita por Moebius e seus amigos na revista Metal Hurlant, na França. Projeto que também imigrou para os EUA com o nome de Heavy Metal. Mostro algumas páginas deste fanzine/álbum, que tem em seu miolo um texto de apresentação de quatro páginas, não assinado, mas que provavelmente é de Franco, que foi também crítico de quadrinhos na Folha da Tarde.”

Quer receber “Os Arquivos Incríveis” por e-mail? Peça:

jabuhrer.almeida@gmail.com

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ENCONTRO DE CARTUNISTAS GAÚCHOS -CARTUCHO- EM SUA DÉCIMA EDIÇÃO

Para maiores informações, vídeos e fotos, acesse o site: http://cartuchosantamaria.wordpress.com

BIRA DANTAS FALA DO CARTUCHO:

“Tenho 50 anos, sou cartunista, quadrinhista e ilustrador desde 1979, há uns 34 anos, creio eu. Gaitista há 14. E foi com minha gaita de boca que fiz um bocado de barulho nas terras gaúchas de Santa Maria, em setembro de 2011. Senti-me muito honrado pelo convite dos organizadores do Cartucho (Encontro dos Cartunistas Gaúchos), e do Máucio em especial. Eu, um paulistano que de gaúcho só tenho o “baita ego”. Conheci Porto Alegre em 2009, no evento Caminho do Livro. Lá debati os Quadrinhos Literários com o amigo Rodrigo Rosa e lancei meus D.Quixote e O Ateneu (este com roteiro do saudoso Ronaldo Antonelli). Para nosso prazer, o Rio Grande do Sul lançou nomes como Santiago, Edgar Vasques, LFV -entre muitos outros- neste Movimento da História em Quadrinhos Brasileira.

Mas conhecer Santa Maria foi como entrar no coração desta república sulista, farroupilha, aguerrida e sofrida, com tragédias como a recente na Boate Kiss… Conhecer Santa Maria foi entrar no coração desses cartunistas fantásticos que de tão míticos, fazem história Brasil a fora. Conhecer o homenageado Byrata foi algo além da imaginação. Virei até o embaixador do Xiru na Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas SP, AQC, ACB, Worney, Gualberto e coreanos. Tarefa fácil, haja visto que fui com a cara deste herói dos campos gaúchos, na primeira olhada de esgueio.

Aventura, regionalismos, ficção, ação, dinossauros, peonices, comilança e muito chimarrão, que ninguém é de ferro. Byrata, um mestre do desenho, do roteiro, do humor e falas gauchescas, que tanto agarrei a curtir. O Cartucho foi responsável pelo meu reencontro com amigos de traço: Bier, Eugenio Neves, Wagner Passos, Santiago, Hals, Alisson. E me fez conhecer Máucio, Greice, Henrique, Joel Giruá, Ricardo Freitas, André Macedo, Gilmar Fraga, Geraldo Passofundo, Pomba Claudia, Rafael Correa, Paulo Chagas e tanta gente boa…

Este evento de Santa Maria junta-se a outro grande (o “Cheia de Graça”, Salão de Humor) para transbordar pelo Brasil o que os gaúchos têm de melhor: Orgulho de sua terra, de sua cultura. Combatividade na hora de lutar por cada espaço. Arte, que têm de sobra. E principalmente, muito humor.

E eu sigo falando dessa turma, que a moda dos Gauleses, briga de puxar facão, mas está sempre de bem com a vida. Penso até que o Máucio lembra bem o Asterix. Obelix seria o Bier, pelo tamanho e preferência pelos javalis. Inteiros”.

Parabéns ao Cartucho, por todos estes anos de luta pela Cultura regional e nacional!

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OS ARQUIVOS INCRÍVEIS DO JOÃO ANTONIO: AS ILUSTRAÇÕES DE GRASSMAN E LONGANESI

Marcelo Grassmann e o ilustrador italiano Leo Longanesi

“Dois ilustradores de livros para alegrar as retinas cansadas dos recebedores dos ais: 1) Marcelo Grassmann ilustrando Angústia de Graciliano Ramos, daquelas edições caprichadas da Editora Martins; 2) Leo Longanesi, ilustrando Viaggio in Paradiso, de Mark Twain. O curioso é que a edição é de Longanesi & C, de Milão. Será que o ilustrador também era o editor?”

Contatos: jabuhrer@gmail.com

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BIRA DANTAS, CONVIDADO DO FESTIVAL DE QUADRINHOS DA ARGÉLIA

Esta é a sexta edição do Festival que coloca o continente africano em contato com o mundo. Vai acontecer de 08 a 12 de outubro de 2013, na Esplanada “Riahd El Feteh”. http://www.bdalger.net

RECADO DO BIRA:

“Se tudo der certo, em outubro estarei na Argélia. Recebi o convite do Festival de BD participar no evento que une o norte da África ao resto do mundo dos Quadrinhos. É uma grande honra representar o Brasil. Agradeço ao Eduardo Pinto Barbier que me apresentou a Dalila Nadjam, em Angouleme em 2011 (ela é presidente do Festival). Barbier incluiu uma HQ minha e de Claudia Carezzato no Festival em 2012 e concorremos ao prêmio projeto Especial. Hoje meu visto foi aprovado junto a embaixada da Argélia, agora é só aguardar o dia 08 de outubro. Obrigado!

Si tout va bien, je serai en Algérie en Octobre. J’ai reçu une invitation de la BD Festival de participer à l’événement qui unit l’Afrique du Nord dans le monde des comics. C’est un grand honneur de représenter le Brésil. Je remercie Eduardo Pinto Barbier qui m’a présenté à Delilah Nadjam à Angoulême en 2011 (elle est présidente du Festival). Barbier présenté moi BD (scenario de Claudia) au Festival en 2012 pour prix spécial. Mon visa a été approuvée à l’ambassade d’Algérie aujourd’hui, maintenant juste attendre le 08 Octobre. Merci!”

EDUARDO BARBIER

Quadrinhista brasileiro residente na França, criou a Le Bouche du Monde, revista franco-brasileira de HQ, em 1991 em Belém do Pará. Editada na França desde 1998, foi selecionada em 2009 e 2011 no Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême (categoria BD Alternativa) e em 2010 na categoria de melhor revista no Festival Internacional de BD de Argel. Ele fez parte do coletivo de editores independentes 4° mundo, ganhador dos prêmios HQ MIX -contribuição do ano -2008; Troféu Jayme Cortez -2009; Bigorna – Contribuição a HQB – 2009; DB Artes – Homenagem especial – 2009. http://eduardopintobarbier.blogspot.com.br Entrevista com Eduardo Pinto Barbier no Blog Quadro-a-quadro: http://quadro-a-quadro.blog.br/?p=2538

HUMOR LIBERTADOR

Hocine Tamou, da organização do evento, fala com grande expectativa do “grande encontro tão esperado com a nona arte (…) e os fãs de quadrinhos estão se preparando para viajar sem fronteiras.” Fala também “da experiência acumulada e resultados muito animadores do primeiro evento do gênero (…) chegando agora a visibilidade e consistência.” O tema escolhido para o festival: “Caixas e bolhas em delírio.”

COREANOS

O Festival da Argélia vai trazer também a 16ª edição do sul-coreano BICOF (Festival Internacional de Quadrinhos de Bucheon), um dos mais importantes da Ásia. Bucheon se destaca por seu Museu do Cartum, a Agência Komacon, a Cidade Cinematográfica e eventos culturais como os Festivais de Quadrinhos e de Cinema Fantástico.

BELGAS

Etienne Schréder, cartunista belga publicado por Casterman, Glénat e Dargaud, oferece um treinamento de cinco dias para os jovens talentos argelinos. Durante isso, os conceitos básicos dos quadrinhos serão abordados: a escrita e o desenho, corte gráfico e o ritmo da narração, como escolher uma história e o que dizer nela… Os princípios do roteiro, os diálogos, as referências e documentação farão parte do treinamento. E uma breve história da evolução dos quadrinhos na Europa, EUA e Ásia.

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CARTUNISTA (E MÁGICO) FABRINI NA REVISTA ILLUSIONISTE

A revista francesa “L’illusionniste” publicou entrevista com o brasileiro Fabrini Crisci em 2009. A ilustração de capa foi um de seus trabalhos gráficos mais conhecidos do público (The Cups and…). Traz ainda uma matéria de seis páginas sobre suas pinturas, na visão de Gaetan Bloon. Conheça mais de Fabrini na internet: http://fabrini.deviantart.com/ http://www.myspace.com/fabriniart http://fabriniart.carbonmade.com/

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TURMA DO BARULHO: UM FURACÃO QUE CHACOALHOU AS HQ INFANTIS

TENTOU-SE DE TUDO

Turma da Fofura, Os Trapalhões, Fofão, TV Colosso, Menino Maluquinho, Senninha… durante dez anos, foram inúmeras as tentativas da Editora Abril de substituir os personagens de Maurício de Sousa. Afinal, ao sair da casa em 1987, Maurício não só levou suas criações para a Editora Globo, como também seu enorme faturamento em bancas. E abriu um buraco nas finanças da editora.
Para os quadrinhistas foi excelente, pois abriu espaço para que eles mostrassem suas criações.
Isso encorajou o desenhista Jótah em parceria com a produtora e colorista Sany (experts em desenhos infantis, tendo participado com animações para o programa Rá-Tim-Bum da TV Cultura, revistas da LBV, ilustracões para livros didáticos e jogos infantis) a entregar em 1993, um projeto de uma nova hq para a Abril. E acabou engrossando a fila de candidatos à vaga de Maurício na casa.
UMA EXPLOSÃO NAS BANCAS

E assim, no mês de abril de 1996, chegou às  bancas o primeiro número da TURMA DO BARULHO,  a mais ousada, irreverente, anárquica e divertida hq infantil (ou pré-adolescente) já criada no Brasil. Uma ousadia que, comparando, fez com que as outras hqs infantis parecessem histórias da carochinha. Talvez por isso seu projeto tenha ficado 4 anos nas gavetas do Grupo Abril. Foi a última tentativa da Abril Jovemcom hqs nacionais. Tinha 32 páginas coloridas e saiu com tiragem de 30 mil exemplares.
As histórias giravam em torno do dia-a-dia de uma turma na escola, só que mostradas por outro ângulo, poucas vezes adotado pelas hqs infantis. A gíria, o palavrão, a pixação nos muros, o costume de “matar aula e colar na prova, o builling sofrido e também praticado,  a turma do fundão, o piercing, o “pum” em sala de aula, o “te pego lá fora”, as brigas e rixas entre turmas, a paixão por video games, a loira do banheiro. Enfim, tudo de bom ou ruim que fez e faz parte da infância de qualquer criança estava lá, com muito bom humor.
Jótah teve a coragem de não só mostrar o universo lúdico da criança, mas também o seu lado mais humano, sarcástico, rebelde. Qual criança na vida nunca caçoou de outra ou mesmo falou um palavrão? 
  A TURMA DO BARULHO: da esquerda para a direita: Bob, Tóbi,
Carol, Kid Bestão, Milu e Babi
 
ADOLESCENTES AOS 10 ANOS
 
Os personagens da TURMA DO BARULHO tinham os hormônios à flor da pele e refletiam uma geração que entrava na adolescência mais cedo.
Várias situações foram criadas nas histórias para mostrar o comportamento dessa nova geração. Duas meninas (Milu e Babi) já estão querendo namorar e se apaixonam perdidamente por qualquer representante do sexo masculino. Os meninos espiam as mulheres se trocando ou tomando banho, e até se atrevem a dar uma espiada por debaixo da mesa, na cor da calcinha da professora. Travessuras de criança que já despertam para a sexualidade.

— ISSO NÃO ACONTECE COM A TURMA DAS OUTRAS REVISTAS!!
Raphael Vieira, 9 anos, sobre as histórias se passarem quase todas dentro da escola.

Espiar a menina tomando banho…

ou namoricos que iam além da mãozinha dada…os personagens da Turma do Barulho não eram assexuados. 

A PRODUÇÃO

Para dar conta da produção das hqs, Jótah montou um estudio na Rua Direita, no centro de São Paulo e reuniu um time  de artistas vindos em sua maioria da animação.
Enrique Valdez e Rosana Valin (hoje nos estúdios MSP), Jarbas Valin, Tomaz Edson, Jean Okada, Nelson Lima e Paulo Santos, formavam a equipe que produzia o gibi. Para compor um visual moderno e diferente do habitual, seus artistas empregaram uma diagramação que valorizava as cenas soltas, algumas sem requadro e cores contrastantes.
 Colocar ou não um brinquinho? Era um dilema da nova geração…

Do desenhista JEAN OKADA, autor do album Kário, dívida de sangue,
sobre a Turma do Barulho:


Participar do gibi da Turma do Barulho foi uma experiência incrível. Nessa revista pude realizar meu sonho de participar de uma publicação mensal, ver nas bancas um trabalho em que eu colaborava… Foi também um gibi onde cada um dos colaboradores colocou muito de si no projeto, pois a Turma nos fazia trazer à tona muito de nossas experiências pessoais, com amigos de infância e da escola, pra colocarmos tudo nas histórias que fazíamos. Acho que conseguimos quebrar algumas barreiras e fizemos um gibi infantil bem ousado. Fomos o mais longe que nos permitiram ir. Sou muito grato ao Jótah por essa grande oportunidade!




O LANÇAMENTO
O lançamento do primeiro número foi tumultuado. Uma troca repentina do papel inicialmente pensando para a impressão do gibi, fez com que os tons de pele de todos os personagens ficassem muito escuros, quase negros. Realmente, a cor de pele escolhida seria mais morena, porém, para um papel de melhor qualidade. Isso só pode ser consertado no número 3, quando adotou-se uma tonalidade mais clara.
A capa foi mudada diversas vezes ate chegar a sua versao final. Houve uma certa censura por parte da editora, principalmente no linguajar dos personagens, pois temiam chocar o publico. Mesmo assim era comum encontrar expressões como bunda, mijão, boiola, nomes que até hoje só aparecem nos quadrinhos da MAD. 
 A partir dessa edição, a tonalidade da pele dos personagens ficou mais clara,
para se adequar à impressão no papel jornal. Compare com a capa do número 1,
no início da matéria.

Para promover a revista, o estudio produziu, com recurso próprios, um comercial animado, que foi veiculado no sul do país.
A TV Globo noticiou o lançamento, inclusive com uma entrevista com seu criador, feita pela jornalista Sandra Annemberg.
Foram destaque no Festival Internacional de Quadrinhos do HQ MIX, ocorrido no Sesc Pompeia. Ao lado da Turma da Mônica, Senninha e dos personagens do Cartoon Network,  a Turma do Barulho apareceu no telão em um video clip ao som de uma banda de rock.

— ELES USAM UM VOCABULÁRIO IGUAL AO NOSSO!!
Luíza Ramos, 9 anos

Esportes radicais como o skate, eram os preferidos da turminha.


Do desenhista TOMAZ EDSON , dono do Estúdio Gibiosfera
sobre a Turma do Barulho:


Fui indicado pelo Enrique Valdez e, acabei produzindo letras e balões.
O Jota alugou uma sala comercial enorme em um velho edifício na Rua Direita. Era quase um andar inteiro e tinha pé direito duplo. Muito legal.
Quando li a primeira história e percebi que os roteiros e desenhos tinham outro pique de humor que não estamos acostumados a ver em edições infanto juvenis pensei: “Duvido que a Editora Abril vai publicar essa turma com toda aquela preocupação de politicamente correto e bláblábla´… “
Enfim, o fato é que o Jota conseguiu um contrato, marcou época e ganhou uma legião de fãs.
Uma curiosidade técnica: lembro que boa parte dos profissionais que lá trabalharam vieram da animação e você sabe que animador de formação, via de regra, tem uma dificuldade enorme em produzir quadrinhos e adequar os seus desenhos ao formato impresso. Isso não ocorreu na Turma do Barulho porque o Jota soube muito bem dirigir o pessoal e padronizar os diferentes traços e estilos dos desenhistas sem que para isso os desenhos virassem carimbinhos.
Enfim, foi uma época que me traz boas recordações que fazem parte de minha vida e meu portfólio.

 Nessa história publicada no número 1, Babi coloca um sutiã da irmã e já se acha
uma mocinha…

— AS OUTRAS REVISTAS SÃO MUITO INFANTIS, POIS NÃO TEM PALAVRÕES!!!!
Flávio Pecelli, 10 anos

A Folhinha de São Paulo destinou a capa e mais quatro páginas para falar sobre a nova turminha das bancas. O jornalista Thales de Menezes fez uma bela materia sobre o lançamento e a equipe da Folhinha levou o gibi para apreciação dos alunos do Colégio Augusto Laranja em São Paulo. As crianças opinaram e gostaram principalmente da linguagem do gibi, mais próxima da sua realidade, do dia-a-dia na escola, com suas aprontações, paqueras e aventuras. O pequeno estudio da Rua Direita passou a receber cartas do Brasil inteiro. A Turma do Barulho conquistava uma boa parcela do publico infantil.
Cautelosamente, Jótah deixou para fazer o lançamento oficial da revista só no número 5, periodo em que já se pode saber se o título “pegou”ou não. Em um pequeno espaço da livraria Melhoramentos, mais de trezentas pessoas, entre artistas de hqs, e publico em geral, se acotovelavam para folhear a revista e saber o que a turma estaria aprontando nessa nova edição. Um sucesso! Teve até apresentação do coral da LBV. Isso foi no domingo.
 Capa da FOLHINHA DE SÃO PAULO, com matéria especial sobre a TURMA


E DEPOIS, O SILÊNCIO…
No dia seguinte a revista foi cancelada. A Abril Jovem já estava em crise, o que resultou no seu fechamento no ano seguinte, quando voltou a ser um departamento dentro do grupo. Muitos títulos foram cancelados e a Turma do Barulho foi junto. O motivo alegado foram as baixas vendas.
Jótah colocou um advogado para verificar o que havia de encalhe nos depósitos. Ele foi e retornou dizendo: 
 —Desculpe, não posso pegar o seu caso!
Da empresa Character que cuidaria do possível licenciamento dos personagens veio a seguinte resposta:   
—“Você está mexendo com gente grande. É só o que eu posso dizer…
O que realmente aconteceu com um título que despontava para o sucesso e repentinamente foi cancelado, não se sabe.
Seus personagens ainda tiveram uma sobrevida, através da pequena Editora Press, de Sérgio e José Guimarães. Com a coordenação e edição de Carlos Mann, o título foi relançado durante o ano de 1997, com um total de seis edições.
Jótah continuou a sua carreira e hoje é um dos maiores ilustradores do Brasil, além de ter também vários livros de sua autoria.
 Capa do primeiro número da TURMA DO BARULHO pela Editora PRESS.


— ESSA REVISTA É BEM PARECIDA COM A VIDA REAL!!!
Thiago Nanini, 9 anos

 As histórias também focavam em temas polêmicos, como por exemplo, fumar na adolescência, sempre mostrando o que era legal e o que não era.

E assim A TURMA DO BARULHO veio, chacoalhou o mercado de quadrinhos,  teve boa aceitação de publico, causou indignação, revolta e admiração em muita gente, e como um cometa passou rapidamente  e desapareceu. Dificilmente é mencionada em premiações ou mesmo em publicações que tratam da história da hq brasileira.

Curiosamente na mesma época, a banda Mamonas Assassinas, causava a mesma indignação ao fazer crianças e jovens de todo o Brasil  cantarem frases como “Oh Maria, essa suruba me excita”. Sua curtíssima carreira terminou quando um acidente aéreo matou todos os seus integrantes. E tal e qual o gibi também marcou época. Os dois, o grupo musical e o gibi tinham um único propósito: DIVERTIR!
 

O mundo estava mudando, mas a mídia foi perceber isso algum tempo depois.
Hoje, alguns quadrinhos já dialogam com uma nova criança, antenada, conectada com o mundo…
Um “pequeno adulto”, como bem disse Maurício de Sousa, em entrevista a Fernando Vives da revista Carta Capital.
A Turma do Barulho sacou tudo isso lá em 1996. 
Com  uma visao mais sarcástica e bem humorada, trouxe para as bancas a galera que está aí hoje.
Uma pena, porque… 
…talvez fosse cedo demais.
Ficou curioso e quer ler os quadrinhos da TURMA DO BARULHO?
Procure nesses endereços…pode ser que você encontre uma ou mais edições.

http://www.maniadegibi.com/loja/
http://www.guiadosquadrinhos.com/ 
http://www.mercadolivre.com.br

PARA CONHECER MAIS SOBRE JÓTAH, O CRIADOR DA TURMA DO BARULHO:
http://www.biografiajotahautorilustrador.blogspot.com.br/

BIBLIOGRAFIA E AGRADECIMENTOS:

• Capa do número 1, restaurada pelo fã Felipe S. Borges.

• Trechos de entrevistas realizadas pelos jornalistas Thales de Menezes e Maristella do Valle para a Folhinha de São Paulo, edição 1706, de 10 de maio de 1996.
• www.tonyfernandespegasus.blogspot.com
• acervo.folha.com.br