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Novidades sobre projeto de lei das cotas para as histórias em quadrinhos no Brasil

Bernardo Aurélio (Conselheiro do Núcleo de Quadrinhos
do Piauí) e Dep. José Stédille, atual relator do projeto de lei
sobre cotas para os quadrinhos nacionais

(por Bernando Aurélio do Núcleo de Quadrinhos do Piauí) 

Em 2009 o deputado federal Vicentinho (PT/SP) apresentou o projeto de lei (PL) nº 6060 que trata sobre cotas para as histórias em quadrinhos no Brasil. O projeto é praticamente o mesmo texto apresentado pelo então deputado federal Simplício Mário (PT/PI), em 2006, a PL nº 6581, que foi recusado pela Câmara por considerarem anticonstitucional a obrigatoriedade de cota mínima de 20% de quadrinhos originalmente brasileiros a serem impressos pelas editoras nacionais.

Acontece que o Dep. Simplício é meu pai, fui eu quem escrevi aquele projeto de lei em 2006 e, não querendo que a iniciativa do Dep. Vicentinho esbarrasse no mesmo problema, resolvi procurá-lo. Fui à Brasília nos dias 23 e 24 de abril e o procurei em seu gabinete. Infelizmente, o deputado não estava, mas falei com Paulo, seu assessor. Descobri com ele que o PL nº 6060 estava nas mãos do relator da Comissão de Cultura José Stédille, deputado federal pelo PSB/RS. Descobri também que o prazo para emendas parlamentares que alterassem o texto do projeto de lei havia acabado recentemente, dia 04/04/13. Conversando com o Dep. Stédille, expliquei como é importante que o projeto perca o caráter de cota obrigatória sem nenhuma contra-partida para as editoras e torne-se uma lei de incentivo fiscal para aquelas editoras que, espontaneamente, atinjam uma cota mínima de quadrinhos nacionais. Falei que o incentivo fiscal poderia acontecer como previsto na Lei Rouanet (até 4% de desconto do valor total do imposto de renda para pessoas jurídicas). Falei também que a revisão no PL nº 6060 poderia sugerir a criação de um edital nacional de incentivo à publicação de quadrinhos nos moldes do PROAC, do município de São Paulo que premia com R$ 40 mil projetos inéditos de quadrinhos de autores nacionais. O Dep. Stédille ficou interessado nas alterações que eu coloquei, da mesma forma que o Paulo, assessor do Vincentinho. Até onde entendi, o Dep. Stédille teria duas opções depois de considerar desfavorável o PL nº 6060 como ele se encontra hoje: 1º) pode apresentar um substitutivo na PL nº 6060 incluindo todas as alterações que eu coloquei tornando muito mais fácil sua aprovação no Câmara e no Congresso e 2º) ou ele ou o Vicentinho apresentam um novo projeto de lei nos termos colocados por mim. Espero que tudo posso acontecer rapidamente, já que minhas expectativas (e de muito outros) com relação a um projeto de lei como esse desenrola-se desde 2006.

Obrigado a todos pela atenção que recebi em Brasília e espero que nosso projeto possa acontecer e agradar a todos para que possamos, autores, editoras e leitores, torcer juntos pela sansão da canetada final da presidente Dilma. Bernardo Aurélio Conselheiro da Associação Núcleo de Quadrinhos do Piauí OBS: Segue abaixo modelo da revisão do PL 6060/2009 que apresentei tanto ao deputado Stédille quanto no gabinete do deputado Vicentinho:

REVISÃO DO PROJETO DE LEI Nº 6060/2009, DE INCENTIVO AO QUADRINHO NACIONAL. Estabelece mecanismo de incentivo para a produção de histórias em quadrinhos nacionais. O Congresso Nacional decreta:

Art. 1º Esta Lei estabelece incentivo para a produção de histórias em quadrinhos de origem nacional no mercado editorial brasileiro.

Art. 2º As editoras que atingirem um percentual mínimo de histórias em quadrinhos de origem nacional, considerando-se o conjunto das publicações do gênero produzidas a cada ano, receberão incentivos fiscais através da redução do Imposto de Renda, de acordo com a proporção: se atingirem um mínimo de 30% de quadrinhos nacionais, poderão reduzir do Imposto de Renda valor de até 50% do total investido na produção desses quadrinhos nacionais; se atingirem 20% poderão reduzir até 25% do total investido na produção desses quadrinhos nacionais.
§ 1º O incentivo fiscal obtido através dessa lei deverá estar dentro dos percentuais permitidos pela legislação tributária. Para empresas, até 4% do imposto devido; para pessoas físicas, até 6% do imposto devido, de acordo com a Lei Rouanet (Lei nº 8.313 de 23 de dezembro de 1991).
§2º Considera-se história em quadrinhos de origem nacional aquela produzida, escrita e desenhada por artista brasileiro, ou por estrangeiro radicado no Brasil, e que tenha sido publicada originalmente por empresa sediada no Brasil.
§3º O percentual de títulos estipulado no “caput” deste artigo será estipulado da seguinte forma: a cota mínima de quadrinhos nacionais deve ser calculada em comparação com o total de páginas de quadrinhos lançados pela editora durante um ano, não sendo consideradas na conta páginas como capa, editorial, expediente, sessão de cartas e outras.
§4ºA distribuição das páginas nacionais em quais e quantas revistas fica de acordo com a conveniência da editora.

Art. 3º As editoras que quiserem se fazer valer dos incentivos fiscais previstos em lei deverão, além de atingir o percentual mínimo de obras brasileiras em quadrinhos entre seus títulos do gênero, obrigar-se a lançá-los comercialmente na forma impressa.

Art. 4º Em se tratando de veículos impressos de circulação diária, semanal ou mensal, deverá ser observada a mesma relação percentual de tira nacional em comparação com as tiras estrangeiras publicadas.

Art. 5º O Poder Público, por meio dos órgãos competentes (MinC e Funart), implementará medidas de apoio e incentivo à produção de histórias em quadrinhos nacionais, através do Edital Nacional de Incentivo à Publicação de Quadrinhos Brasileiros que selecionará e financiará projetos específicos da área.
§1º O Edital Nacional de Incentivo à Publicação de Quadrinhos Brasileiros deverá ser redigido e implementado, em seus pormenores, pelos órgãos competentes e implementado, anualmente, um ano após esse lei entrar em vigor.

Art. 6º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Veja aqui os comentários referentes à este texto no blog do Núcleo de Quadrinhos do Piauí

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FANZINEIROS DO SÉCULO PASSADO – ANTICAST E A POLÊMICA TABELA DE PREÇOS DE ILUSTRAÇÃO

ASSISTA O VÍDEO:Toque do Marcio Sno: “Terceiro capítulo do documentário que eu produzi, Fanzineiros do Século Passado, será exibido na TV Aperipê de Sergipe e na internet! Confiram e ajudem a espalhar a notícia!” http://www.facebook.com/pages/Fanzineiros-do-Século-Passado/144973758870074

Exibição: 24/04 quarta-feira 20h Reapresentação: 29/04 segunda-feira 19h Para assistir on-line:

http://www.ideastek.net/aperipetv/

Chamada:

http://vimeo.com/64633943

DISCUSSÃO IMPORTANTE NO MEIO DOS ILUSTRADORES: A TABELA DE PREÇOSResolvendo a polêmica da tabela.

http://www.brainstorm9.com.br/36541/anticast/anticast-urgente-3-resolvendo-a-polemica-da-tabela/

“Olá, antidesigners e brainstormers. Neste Urgente #3, Ivan Mizanzuk recebe os convidados Thais Linhares (ilustradora), Ceu D’Ellia (animador), André Beltrão (designer e autor do livro “Quanto Custa meu Design?”), Elenay Oliveira (Revista Leaf) e Bernardo Silva (também da Revista Leaf) para se aprofundarem na questão da tabela de preços da Design & Chimarrão e tentarem dar um ponto na discussão toda. (OBS.: Como diz o nome, o fator de urgência é grande, portanto a edição é bem mais crua. Pedimos aos ouvintes que relevem esse fator.)”

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Troféu Angelo Agostini

29º TROFÉU ÂNGELO AGOSTINI – O DEPOIMENTO DE WORNEY ALMEIDA e BIRA DANTAS

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Eventos

HQ: A HISTÓRIA DAS NOSSAS HISTÓRIAS

Entre os dias 11 e 25 de julho, será realizado a exposição: “HQ: A Histórias das Nossas Histórias”. O evento ocorrerá no foyer do CAHL (Centro de Artes, Humanidades e Letras) da UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia), localizado à Rua Maestro Irineu Sacramento, S/N, Centro – Cachoeira-BA.

A proposta da mostra é de inserir o quadrinho em um novo espaço, permitindo que ele, obviamente, chegue a um novo público. Que traga visibilidade a essa mídia, ajudando a alimentar as discussões a respeito da sua inserção no âmbito dos museus. Sobretudo, fazendo uma justa homenagem à Angelo Agostini, pioneiro dos quadrinhos no país, e a diversos outros abnegados do “traço”, que com muito suor e nanquim fizeram e fazem a história do quadrinho nacional.

Aproveito a oportunidade para convidar àqueles que tenham interesse em participar da exposição, com o envio de material, e também agradecer aos artistas já colaboraram com a mostra com o envio de reproduções de páginas e publicações. Meu muito obrigado a Flávio Colim (in memoriam), José Lanzellotti (in memoriam), Jo OliveiraPrimaggio MantoviGustavo MachadoAllan Goldman,Francisco Sebastião VilachãJosé Márcio NicolosiLeonardo MeloGil Mendes Lorde KramusGiorgio GalliJoão Pinheiro, Haroldo Magno, Sivanildo Sill, Anita Costa, Lincolin Nery, André Betonasi, Octávio Aragão, Carlos Rezende, Paula Mastroberti, Mário Cau, Cristina Judar e José Márcio pela colaboração.

Os interessados em participar do evento como expositor, deverão entrar em contato com Marcos Franco para obter maiores informações sobre o material à ser enviado e o prazo de entrega. Toda colaboração será bem vinda

A/C Marcos Franco
Rua: Barreiras, 707, Jardim Cruzeiro
Feira de Santana-BA
Cep.: 44024-372

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Lançamentos

Míchèlle, A Vampira de Emir Ribeiro

Saiu a edição definitiva da personagem vampiresca de Emir Ribeiro. Michèlle, a Vampira que foi criada para as tiras de jornais, em novembro de 1977, e adaptada para as páginas dos quadrinhos nos anos 80.
            
Emir Ribeiro é um dos mais respeitados quadrinhistas brasileiros, destacado por ter criado personagens marcantes como a super loira Velta, o misterioso Homem de Preto, a andróide Nova, a enigmática Adrian e uma dezena de figuras bem construídas que povoam a imaginação dos leitores a mais de 40 anos.

Além dos roteiros bem elaborados, Emir contribui cenários diferenciados e muitas vezes surpreendentes. É o caso de Míchèlle, a Vampira que para fugir do modelo padrão das histórias de terror foi situada no século 16, durante a invasão francesa no Maranhão, na então colônia portuguesa de além-mar.

Michèlle foi contaminada pelo próprio conde Drácula e chega sedenta de sangue numa terra desconhecida e recém colonizada e enfrenta a tenacidade do doutor Palmeira, médico paroquial, mas que conhece o fenômeno do vampirismo e a vingança de Manoel, mutilado pela personagem. Outro detalhe curioso é que Michèlle tinha dupla personalidade quando era uma mortal e conservou essa característica depois de transformada em morta-viva.

A saga de Michèlle é eletrizante, ousada e sem concessões. Apresenta um roteiro pulsante e que explora bem as nuancias possíveis de uma vampira perdida no meio do Brasil, disputado pelos colonizadores europeus.

Emir Ribeiro sempre foi mestre em desenvolver personagens femininas e de personalidades dispares e Michèlle ocupa um lugar de destaque em sua galeria de criações.

Nesse álbum reunimos todas as seis histórias da personagem construindo uma saga envolvente, cheia de reviravoltas, com um suspense constante e de ação incessante.

Só resta saborear as páginas da trajetória da vampira e pensar duas vezes antes de se aventurar na madrugada pelas ruas sombrias da cidade.
Worney Almeida de Souza
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Michèlle, A Vampira (Edições WAZ, 84 páginas, tamanho: 17 x 24 cm, preto e branco, lombada canoa, R$ 19,90)

Distribuição exclusiva: www.comix.com.br
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Fanzineiros do Século Passado, será exibido na TV Aperipê

O terceiro capítulo do documentário Fanzineiros do Século Passado, será exibido na TV Aperipê de Sergipe, com exibição na internet!

Confiram:

Exibição: 24/04 quarta-feira 20h
Reapresentação: 29/04 segunda-feira 19h
Para assistir on-line: ideastek.net/aperipetv/

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História inédita do Capitão Nemo!!!

Dia 27 de abril, sábado, à partir das 17h, na Gibiteria, acontecerá o lançamento de As Aventuras do Capitão Nemo: Profundezas…, novo álbum em quadrinhos da Editora NemoDepois da adaptação do clássico 20.000 Léguas Submarinas, de Júlio Verne, os fãs de HQ’s e de Julio Verne poderão ler uma história inédita do destemido Capitão Nemo. Com roteiro de Daniel Esteves e desenhos de Will, vamos acompanhar o Capitão e sua tripulação numa viagem de mistérios e perigos a bordo do submarino Náutilus.

Indo a uma profundidade marítima jamais atingida, o extraordinário submarino vai tão fundo que até os raios solares perdem sua força ao atravessarem camadas e mais camadas de água. O objetivo da missão do Náutilus é explorar os abismos oceânicos, chegando o mais perto possível de ambientes desconhecidos.

Ao mesmo tempo em que animais exóticos capazes de emitir luz própria impressionam o Capitão, o temor de que o submarino não suporte tamanha pressão preocupa alguns tripulantes, principalmente Gaspar, que inicia um motim, prende quem se opõe a ele e tranca fora do submarino seu comandante e alguns marinheiros fiéis. Agora, Nemo terá que contar com a ajuda de seu imediato, Yumalay, para retornar à embarcação e tomar do enlouquecido traidor o controle do Náutilus.

Daniel Esteves é roteirista, quadrinista e editor independente, ganhador do troféu HQMIX em 2012 pelo álbum O Louco, a Caixa e o Homem. Sendo formado em Desenho de Comunicação (Técnico) e graduado em História/USP, ele é professor e diretor da Escola HQEMFOCO, além de ministrar aulas de quadrinhos nas escolas técnicas estaduais José Rocha Mendes e Horácio Augusto da Silveira.


Will é ilustrador, designer gráfico e quadrinista com HQs em diversas publicações. Ganhou três troféus HQMIX, dois em 2007 por sua participação no zine Subterrâneo e na revista independente A mosca no Copo de Vidro, e um em 2012 pelo álbum O Louco, a Caixa e o Homem. Entre suas criações mais conhecidas estão os personagens Sideralman e Demetrius Dante, publicado no site Petisco. Pela Editora Nemo, desenhou os quatro álbuns da série Mitos Recriados em Quadrinhos, em parceria com Wellington Srbek e a adaptação de 20.000 Léguas Submarinas com João Marcos.
No dia, Will e Daniel estarão autografando e conversando com o público.

 

Gibiteria
Dia 27 de abril de 2013
À partir das 17h
Praça Benedito Calixto, 158 – 1º andar
(11) 3167-4838
contato@gibiteria.com
Twitter: @gibiteria
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MIDIA PRESS MAIL ART ZINE

( A ARTE CORREIO EM EVIDENCIA )
EDITOR : JOSÉ NOGUEIRA
CONTATOS : CX. POSTAL – 672
CEP : 01031-970  SP / SP
BRASIL
ENVIE NOS TEUS TRABALHOS PARA AS PRÓXIMAS PUBLICAÇÕES, ARTE CORREIO, GRAFITE, STENCIL ART, STREET ART, FLUXUS ART, ART DADA, COLLAGE, ETC. . . 

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“O SÓTÃO”: NOVA PUBLICAÇÃO DA AQC

“O Sótão” é uma nova proposta de apresentação da arte dos associados da AQC-ESP. Enquanto esperamos as definições com a editora que vai lançar o livro “100 vezes AQC”, vamos criar um pequeno fanzine de 08 lados (numa simples folha de sulfite dobrada). Terá a periodicidade mensal, com 300 exemplares, distribuído gratuitamente em eventos, gibiterias, pelo correio e, quem sabe, encartado em publicações da associação e de quem se interessar.

A motivação é a síntese, o tema é livre, a arte será em preto e branco. O autor deve mandar sua arte deitada em formato retangular, na proporção: 14,5 (base) x 10,5 cm (altura). Vale cartum, charge, quadrinhos, tiras, ilustração, caricatura, texto, grafismo e grafite. O autor receberá 20 exemplares. E a edição será reproduzida no blog da AQC. O autor será identificado pelo nome completo e pelo endereço eletrônico ou endereço de blog ou página na internet.

O autor será incluído na página “Associados” da associação com um link para sua página de portfólio eletrônica.

A ideia é divulgar a AQC-ESP, a arte de cada autor e criar uma pequena, mas eficiente publicação de experimentalismo e de desafio dos artistas interessados.

Envie seu trabalho para: produtoraculturalwaz@yahoo.com.br

O Sótão está aberto, é só entrar!”

Worney Almeida de Souza

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AQC LAMENTA E PROTESTA: O ESTADÃO PERDEU O “ÃO” (*)

CARTA ABERTA AO ESTADÃO: Lamentamos que o jornal “O Estado de S.Paulo” tenha demitido dois dos maiores caricaturistas da atualidade: Baptistão e Carlinhos Müller. Premiados nacional e internacionalmente, ambos arrastavam uma legião de profissionais, estudantes ou apreciadores da arte da Caricatura ao hábito diario de comprar e folhear o jornal.

Protestamos, pois este mesmo jornal sempre criticou a superficialidade de seu principal concorrente: a Folha de S. Paulo. Criticava a falta de senso crítico esperado por um orgão de imprensa. Senso crítico este, muitas vezes, melhor desempenhado pelos profissionais da charge e da caricatura do que por muitos editoriais (é antiga a frase: 1 imagem vale mais do que mil palavras). Apesar disso, a Folha mantém um grande número de ilustradores, chargistas, caricaturistas e tiristas (mesmo em esquema de free-lancer), já o Estadão… Esta mesma sanha demissionista fez duas vítimas na década de 90. O espaço de charge editorial antigamente ocupado pela história Hilde Weber, depois ocupado por Claudius Ceccon e Maringoni, também foi extinto pelos donos do jornal.

Protestamos porque isso acontece numa época como esta, em que vemos um maior número de publicações em Quadrinhos (de grandes e pequenas editoras); em que vemos as livrarias criarem grandes espaços dedicados a Nona Arte, incluindo livros de Charges, Animação, Cartuns e Caricatura (como o excelente História da Caricatura Brasileira de Luciano Magno – indicado ao Troféu HQmix); em que vemos eventos como Cartucho (Santa Maria-RS), FestComix, GibiCon Curitiba, ComiCon Rio, POA, Manaus, Amazônia; Gestalt dos Quadrinhos (de Marko Ajdaric); Gibitecas pululam pelo país resgatando uma história de ousadia e bravura de pioneiros como Araujo Porto-Alegre, Angelo Agostini e centenas de outros artistas gráficos.

O cartunista Érico San Juan escreveu: “ADEUS, ESTADÃO Ao contrário da maioria dos meus colegas cartunistas, especialmente os paulistanos, nunca tive o sonho, a meta, o desejo, de trabalhar para a Folha de S. Paulo. Minha maior identificação sempre foi com o Estadão. Adquiri o hábito de ler o jornal O Estado de S. Paulo no meu primeiro emprego: na redação do Jornal de Piracicaba, nos anos 90. Depois, continuei leitor e assinante. O “meu” Estadão tinha Paulo Francis, Ruy Castro, Daniel Piza. Meus perfis de artistas e crônicas, que a atividade de ilustrador e cartunista sempre deixou em segundo plano, sempre tiveram como inspirações a produção desses jornalistas. Todos cultos, coloquiais, elegantes, bem-humorados. Na ilustração e na caricatura, colecionei, a partir dos anos 90, as caricaturas gigantescas que saíam no Caderno 2. A maioria era da lavra de Eduardo Baptistão. Com o tempo, e um maior entrosamento com os colegas cartunistas, cruzei com o Bap numa das pizzadas anuais promovidas pelo Custódio Rosa. O gosto em comum pela MPB estreitou nosso contato. Baptistão homenageou os ídolos do cancioneiro nacional com uma exposição de caricaturas dedicada a eles. Exposição que tive o prazer de acompanhar ao vivo, em São Paulo, com o Spacca e o Paulo Ramos. Também fui espectador de outras atividades tendo o caricaturista como foco das atenções. Uma delas, no Salão De Humor Piracicaba, em 2012. O anúncio da saída do Bap do Estadão, feito pelo artista em seu Facebook, surpreende pela homenagem ao jornal. Uma lição de humildade, de esperança, de devoção aos colegas e ao ex-empregador. Paulo Francis e Daniel Piza se foram deste mundo. Ruy Castro mudou-se para a Folha de S.Paulo, onde não mais publica mais aqueles artigos quilomètricos sobre a cultura do século 20. E o Baptistão deixa as páginas d’O Estado de S.Paulo. Eu também: a partir de hoje, deixo de ser leitor do jornal.”

Osvaldo Pavanelli: “Quando a situação aperta, os melhores são os primeiros a serem demitidos pelos idiotas da objetividade. Ruim para quem sai, pior para quem fica.”

Cyntia Carneiro: “O Estado ficou pequeno… tá na hora de conquistar o Mundo!”.

Gilberto Maringoni: “fiquei chocado com a notícia. Esses “dirigentes” da grande mídia são uma praga. Soltam nas ruas produtos de qualidade cada vez pior – parciais, interessados e afeitos a lobbies de todo tipo – e estão destruindo a atividade jornalística. Há pouquíssimas exceções. Dispensar um talento estelar como o seu diz muito do que é o Estadão atualmente: um jornal que caminha aceleradamente para o nada. Minha solidariedade total a você, um gênio da caricatura de todos os tempos!”

Resta lamentar profundamente. E acompanhar seus trabalhos na web:

http://baptistao.zip.net http://carlinhosmuller.blogspot.com.br (*) Escrito no Facebook.